(in english after the portuguese)
Depois de alguns pedais não relatados em São Leopoldo, Viamão e Porto Alegre - passando por Lomba Grande, Itapuã, Lami e Lomba do Pinheiro - fiz um misto de trekking com pedal nas trilhas da Costa da Lagoa e Ratones em Florianópolis.
A primeira trilha começa na Estrada Geral do Canto dos Araçás, penetra na mata atlântica e margeia a Lagoa da Conceição no lado oeste até alcançar o distrito de Costa da Lagoa, a segunda sai daquela localidade e vai até o distrito de Ratones.

Parti pedalando da praia do Campeche no final da manhã e fui até a praça central da Lagoa da Conceição. Logo adiante na Estrada Geral do Canto dos Araçás um sobe-desce por vielas de paralelepípedo entre casarios de decoração criativa vendo-se o azul da lagoa no lado direito. Cada vez mais a dificuldade aumenta, a Estrada Geral se transforma quase em trilha embora ainda permita o acesso a carros de passeio.

Cheguei em frente a um conjunto de placa velhas de madeira esverdeada que numa forma poética descrevia a trilha da Costa da Lagoa sem deixar de destacar que ela tinha extensão de 7 km de extensão e que para praticantes de mountain-bike era considerada “técnica”.
Lugar deserto, chão de areia grossa socada entre pedras de todos os tamanhos sendo que em muitos trechos era impossível de se pedalar visto à organização caótica do rochedo nas mais variadas inclinações.
Subidões nas pedras, bicicleta nas costas e a pulsação a 160 bpm cuidando para não resvalar.

Um longo trecho no meio do mato cerrado e pedras de todos os tamanhos, ora sobe, ora desce, ora pedala, ora carrega a bicicleta nas costas. De vez em quando passava pelo conjunto de placas de madeira esverdeada que de forma poética fazia apologia da trilha e recomendações diversas.
A sensação era de isolamento e deserto no mato sob as copas das árvores enormes e sobre rochas e até mesmo raízes de grossura descomunal.
Haviam casas de varios estilos e ruinas quase na beira da trilha. Ainda penso como elas foram construídas lá naqueles locais ermos onde não se chega nem de carro nem de motocicleta e estão na maioria escondidas sob as copas das arvores e elevadas nos morros longe do nível do mar/lagoa.

Pois foi no meio do caminho e de surpresa que por sob uma das cercas de tela de uma dessas casas modernas abandonadas ocultas no mato surgiu um cachorro da raça fila cujo tamanho regulava com o tamanho da minha bicicleta volare.
Forte e gordo decerto da ração semanal que os donos deixam ali para alimentá-lo, ele veio correndo na minha direção pela trilha estreita de mão única, como um cavalo a galope e como se estivesse decidido a me trucidar.
Os dentes brancos relampeando no meio da mata eram como se fossem garfos metálicos duma suspensão dianteira, o pêlo arrepiado ao redor do pescoço dava-lhe um aspecto leonino feroz que o deixava ainda mais robusto.
Rapidamente tive de pensar no que fazer.
Largar a bicicleta, virar as costas, correr e fugir seria a pior atitude, pois ele me consideraria um cabrito em fuga, me alcançaria facilmente no pedregal, e me trucidaria sem ninguém por perto que pudesse me ajudar.
Pensei que a única arma e escudo que carregava era a bicicleta de alumínio com algumas partes de aço. Desci da bike, olhei nos olhos do gigante, meio em posição de katá de aikido, esperando reverter a força e peso do animal contra ele mesmo num movimento circular. Me preparei para a mais forte bicicletada que meus braços treinados com alguns meses de musculação e anos de bom senso poderiam dar naquela cabeça enorme.
Mas o bicho parou a uns 3,5 m de distância e começou a sapatear.
Pêlo eriçado, rosnar feroz e um sapateado grotesco, fui me aproximando dele com firmeza, pois eu não queria virar as costas para aquele monstro e nem retornar derrotado para casa por causa dum cusco graúdo e metido.
Ele foi retrocedendo e sapateando até que num ágil rodopio mergulhou de novo sob a cerca de tela. Fez de conta de forma muito inteligente que não podia mais me alcançar e passou a morder a tela de metal.
Mais uns kms de trilha pedreira, sobe-desce, empurra, pedala, carrega nas costas no meio do matagal.
Enfim cheguei ao distrito de Costa da Lagoa. Era mais de meio-dia e eu já com fome. Havia vários restaurantes por ali e parei num especializado em frutos do mar chamado “coração de mãe”.

Iscas de robalo com salada de maionese feita na hora e ainda quente me deixaram pronto para partir rumo à localidade de Ratones pela trilha dos Ratones, que segundo os moradores do local era muito mais difícil do que pedalar/caminhar na trilha da Costa da Lagoa.
Pedalei numa trilha de concreto/rocha entre casarios construídos com material de construção trazido pelos barcos que são o único meio de locomoção do lugarejo para se chegar até locais com maiores recursos. Vários restaurantes, os clientes vêm de bicicleta e a pé pela trilha, ou principalmente de barco pela lagoa.

No final dum subidão de paralelepípedos entrei à esquerda e comecei a subir mais ainda.

Bicicleta nas costas, trilha resvalenta de areia grossa, cuidando onde colocar o pé para não despencar de cima do morro com bike e tudo. Pulsação a 170 bpm, um sol de rachar.

A bicicleta além do peso normal tinha um bagageiro acoplado onde eu levava o ferramental todo, jaqueta, frutas, água extra, celular, protetor solar, etc. Valeu a pena as várias seções de supino e bíceps entre outros na academia de musculação. Valeu também a pena o esforço da subida pois o visual lá de cima compensou.

Depois de contemplar a lagoa e o mar superpostos entrei numa trilha entre um guanxumal bom para cobras, sob a copa das arvores. Mais adiante um descidão entre pedras enormes e barro que parecia o leito vazio de uma corredeira.
Num certo trecho uma corda me seria bastante útil para içar a bike até lá em baixo para depois descer me agarrando nas pedras. Me fui, com bike e tudo, e sem corda, só no braço.
A trilha foi ficando larga e plana, com menos dificuldade, até virar estrada de terra onde passariam carros de boi. Depois disso, veículos motorizados já poderiam trafegar por ela, então finalmente entrei numa estrada onde encontrei pessoas para pedir informações.
Eu queria seguir para a Barra da Lagoa e tomar um banho de mar. Meio espantados me disseram que o caminho mais seguro mas não de menor distância era ir por Vargem Pequena até a praia dos Ingleses e de lá para Rio Vermelho etc...
Nas proximidades de Vargem Pequena procurei encontrar pessoas no casario para pedir informações, mas não havia viva alma. Parecia que uma bomba de nêutrons tinha explodido há décadas ou que todos os moradores tinham sido abduzidos/arrebatados. Tudo intacto: casas com cadeiras, mesas e redes de dormir do lado de fora, janelas e portas abertas, mas ninguém a vista.
Alguns kms por estrada de terra e fui desembocar no asfalto que vai à Canasvieiras onde segui contra o vento em direção à praia dos Ingleses. Logo depois de um trevo entrei à direita em direção à Vargem Grande, asfalto novo, caminho plano; logo adiante estrada de chão, subidas medonhas. A idéia era fazer um atalho e chegar a Rio Vermelho.
No alto do morro parei e comi umas bananas observando uns macacos saguis dependurados nos galhos altos das arvores e despenquei num vai e vem por uma estrada poeirenta e sob um sol escaldante.
De Rio Vermelho à Barra da Lagoa foi um tapa, mesmo com aqueles retões entre pinus, o vento estava a favor. Na Barra tirei a camisa e tênis e entrei na água cristalina azul-esverdeada do canal onde fiquei nadando contra a correnteza que vinha do mar o tempo suficiente para ficar com dor na musculatura dos braços.
Dali sai pedalando sem camisa, de capacete e luvas pegando o sol das 17 hs até a praça central da Lagoa da Conceição.
Para encurtar o relato, pedalei mais um trecho seguindo pelas curvas do Canto da Lagoa fazendo ao final um 8 na Lagoa da Conceição. Fui parar em Campeche com 69 km pedalados, Vmax 61 km e Vm surpreendente de 16 km/h.
An 8 in "Conceição" laggon After some not related rides in Viamão and Porto Alegre city - until Itapuã village, Lami and Lomba do Pinheiro - I made a mixture of trekking and pedal for the trails of "Costa da Lagoa" and "Ratones" in Florianopolis city. The first trail begin in "Canto dos Araças" road and ends in district of "Costa da Lagoa", crossing the rainforest in the western side of the Conceição lagoon; the second begins in "Costa da Lagoa" and finishs in "Ratones" district.I left the Campeche beach in the end of the morning and went until the central square of "Lagoa da Conceição" . Soon a small road, an up-down ahead, by narrow streets of parallelepiped between houses of creative décor, seeing the blue of the lake on the right side. Increasingly the difficulty increases, road of land half-track. I came forward to a set of old wooden green card in a poetry way described the trail of "Costa da Lagoa" while out that it was told that it had extension of 7 km long and for practitioners of mountain-bike was considered "technical". From desert floor of sand thick between stones of all sizes and in many parts it was impossible to ride because the organization of chaotic rock in the most diverse inclinations. Later a hard climb in stones, bike on the back and pulse to 160 bpm caring for not slipping. A long stretch in the middle of the bush savannah and stones of all sizes, sometimes up, sometimes down, sometimes cycle, or carries the bike in the back. From time to time spent by the number of green cards made in wood was a poetic praise of the track and also had several recommendations. The feeling of isolation in the desert weeds under the crowns of trees and huge rocks on and even roots of large thickness. Hide in the weeds were empty houses on the edge of the track. I still think how they were built in those locations where there it is is not enough either to car neither to motorcycle and are hidden under the crowns of trees and high in the hills away from sea/lagoon level. So by surprise in half way and under one of the fences of the modern abandoned houses hidden in the bush, appeared a "fila" dog whose size was like the size of my red Volare bike. Strong, fat and certainly feed by the weekly food that the owners no longer put there to feed him, he came running in my direction by a close and thin track as a horse to gallop, as if determined to kill me. The white bright teeth shining in the middle of the forest was as if were metal forks of a front suspension of a bike, the fur erect in the neck gave him something fierce unfair that left more robust. Quickly I had to think about what to do. Leave the bike, turn my back, run and flee would be the worst attitude, because he would consider me a kid on the run, I would be caught easily in rocks, and I would be killed without anyone around who could help me. I thought that the only weapon and shell that was carrying was my aluminum bicycle with a few pieces of steel. In front the bike, looked in the eyes of the giant, I was in a position to katá of aikido martial art, expecting revert the power and weight of the animalagainst itself in a cicular movement. I prepared myself for the stronger beat with the bicycle that my arms trained with a few months of fitness and my mind trained with years of good mood could give in that enormous head. But the beast stopped some 3.5 m away and began move his feets and hands nervously because it was really very angry. Fur erect, bark fierce and a grotesque movements of hands and feets, I was approaching him with firmness, because I did not want to turn my back on that monster and return as loser to home because of a big “cusco”. He was backward and moving feets until an agile movement it plunged again under the cuted fence, in a intelligent way he appeared to try reach me without sucsses in the other side of the fence while was biting it furious but scared of me. I passed by him looking his eyes, and gave a bye. More few km of track quarry, climbs down, pushes, cycle, loads on the back in the middle of the scrub. Finally I came to a small village called Costa da Lagoa. More than half a day and I already with hunger. There were several restaurants there and stopped in a “fruit of the sea” restaurant called "heart of mother." Many small fried pieces of bass fish with salad left me ready for track of Ratones, which according to residents of the place was much more difficult than riding / hiking trail in the Costa da Lagoa. I cycled in a trail of concrete / rock between houses built with materials of construction brought by the boats that are the only way of locomotion of that village to reach sites with greater resources. Several restaurants, customers come by boat - or by bicycle and foot trail. At the end of a hard climb of I went to the left and started to rise further. Bike on the back, track sleezy of sand thick I had to take care where I put the foot for not fall down from a hill hugged in the bike. The pulse went to 170 bpm, a sun-split. It was worthwhile the various sections of supine and biceps among others at the Academy of bodybuilding. The bike beyond the normal weight had a boot coupled where I took all the tooling, jacket, fruit, extra water, mobile, solar protector, etc. After several climbs impossible to cycle, divided into stages, went on a trail between a “guanxumal” bush good for snakes, under the crown of the trees. After it a climb between huge stones and clay that seemed the empty bed of a waterfall. In a stretch a cord I would be very useful for tie the bike up there and then down below me in grasping stones. I went with bike and everything, and without rope, only in the arm. The trail was getting wide and flat, with less difficulty, to turn road of land where would steer car. After that, cars could already ride there, then finally went on a road where I found finally people to ask for information. I wanted to go to Barra da Lagoa to take a bath at sea. Half surprised told me to go towards “Vargem Pequena” and exits on the "beach of the British", Red River and from there etc. Nearby “Vargem Pequena” I tried to find people in the houses to ask for information, but there was no living soul. It appeared that a bomb of neutrons had blasted for decades ago or that all residents had been abduced / caught. All intact: houses with chairs, tables and networks of sleep from the sidelines, windows and doors open, but no one in sight. Some kms by road from land and was asphalt that will end in the Canasvieiras beach I followed against the wind toward the “beach of the British”. After a clover went to the right toward “Vargem Grande”, new asphalt, road plan; after road from floor, hard rises. The idea was to make a shortcut and reach the Red River. On the top of the hill and stopped I ate few bananas watching some monkeys in trees and went down the hill by a sandfull road under the hard sun. From the Red River Barra da Lagoa was very fast, even thought the long lined road between pinus trees, the wind was in my favor. In “Barra” I took out the shirt and shoes and went in the water blue green of the channel where I was swimming against the water flow that came from the sea for long enough to get pain in the muscles of the arms. From there I cycled with no shirt, wearing helmet and gloves catching the sun from 17 pm until arrive in the central square of “Lagoa da Conceição.” To shorten the story, cycled another stretch far corner of the lagoon by making an 8 in “Lagoa da Conceição” logoon. I stopped in Campeche with 69 km cycled, Vmax 61 km and Vm surprising of 16 km / h.