domingo, julho 05, 2009

Salto do Yucumã

(in english after the portuguese)



Dentre os lugares que estivemos nos pedais por estes pagos, o salto do yucumã sem dúvida destaca-se pela peculiaridade de ser um acidente geográfico curioso. Toda a extensão em largura do rio Uruguai cai lateralmente e de repente numa fossa de 2 km de extensão, uns 15 m de largura e 100 m de profundidade. Não se percebe a magnitude desse acidente porque a fissura na rocha está repleta de água até a borda, mas se por algum recurso artificial ou natural as águas fossem desviadas e o abismo esvaziado, tomaríamos plena consciência de estarmos à beira de um buraco longitudinal da altura de um prédio de 30 andares.



Há cerca de dez anos eu observava o salto nos mapas de papel. E foi na através da propaganda de uma jornalista local que minha curiosidade sobre a região do noroeste do estado gaúcho se inflamou. Então decidi ir até lá para conhecer a fissura, entre outros pontos turísticos de menor importância.



Partimos motorizados de Porto Alegre eu e o grande companheiro de pedal e amigo Alberto até a cidade de Tenente Portela. Percorremos 500 km de carro até chegarmos lá com uma vontade imensa de pedalar. Ficamos no Salto Grande Turis Hotel e já de inicio nos informaram que era proibido pedalar dentro do parque estadual do yucuma, para evitar que ciclistas desavisados fossem comidos por onças ou mesmo sucuris caso parassem no caminho para trocar pneu ou beber gatorade.





Na manha seguinte o proprietário do hotel nos confirmou a impossibilidade de se pedalar dentro do parque, e também informou que era impossível se ir da portaria do parque ao rio Uruguai a pé, pois assim facilitaria o ataque das onças ou “mão peladas” a espreita no mato procurando alimentos. Resolvemos ir de carro levando as bicicletas conosco, para tentarmos convencer o guarda florestal de que ciclistas tem pernas duras e não são um bom prato para os animais selvagens.



Mas não fomos persuasivos o suficiente, então rodamos até as proximidades do rio de carro e ali pegamos uma das bicicletas para podermos ter o gosto de pedalar nas pedras fazendo algo tipo trilha em terreno considerado de dificuldade média onde nunca ninguém havia pedalado antes.





Um local de certa forma tenebroso e deserto. Depois de cerca de duas horas de caminhada por ali deixei nas pedras os percalços sugados pelo buraco fundo cheio de água até aborda. Saímos daquele lugar com a intenção de nunca mais voltar visto que era de certa forma de difícil acesso e distante da capital. Enfim, um fim de mundo.



Seguimos em direção a Frederico Westfalen onde pretenderíamos passar a noite. Era cerca de 16 hs quando chegamos no Hotel Mane. Largamos nossas sacolas e fomos pedalar até a localidade chamada Faguense. Com cinco quadras de pedal e no inicio da primeira lomba forte arrebentou a correia da minha bicicleta. Demos sorte porque o incidente ocorreu bem em frente à melhor oficina de bicicletas da região. Só que ela estava fechada. Mas nos disseram que o dono estava num bar ali perto. O proprietário Mario teve o inconveniente de abrir a loja, consertar a correia e ainda não quis cobrar nada.



Logo mais estávamos pegando um descidão de paralelepípedo até o campus da UNIJUI e uma cascata do parque Faguense.














Continuamos por uma estrada estreita de chão batido onde quase que dou de cara com um arame farpado atravessado no caminho. Retornamos à rodovia e onde pedalamos um bom trecho para chegar de volta à cidade, loucos de fome. Fomos a uma pizzaria que ficava ao lado do hotel onde comemos um rodízio e depois fomos descansar para a longa viagem de retorno à capital.




Videos:







Mais informações:

http://www.turismoyucuma.com.br/site/index.php?pg=principal


Yucumã Fall

Among the places that we've been for these pedals, the Yucumã fall certainly stands out for the peculiarity of being a curious accident of geography. The entire length of the width of the Uruguay River falls sideways and suddenly a pit of 2 km in length, about 15 m wide and 100 m depth. They don´t realize the magnitude of the accident because the cleft in the rock is full of water to the edge, but if by any artificial or natural resource waters were diverted and emptied pit, we would fully aware that we are on the verge of a longitudinal hole height a building of 30 floors. About ten years I watched the leap from paper maps. And it was through the propaganda of a local journalist that my curiosity about the region of northwestern Rio Grande do Sul state ignited. So I decided to go there to see the fissure, among other sights of lesser importance. We started motorized from Porto Alegre city, me and the great companion friend Alberto to the city of Tenente Portela. We traveled 500 km driving to get there with an urge to ride. We stayed at the Hotel Salto Grande Turis already beginning and told us it was forbidden to ride into the state park Yucumã to prevent unsuspecting cyclists were eaten by jaguars or anacondas case stop on the way to changing a wheel or drink gatorade. The next morning the owner of the hotel confirmed that it was impossible to ride in the park, and also said it was impossible to go from the park entrance to the Uruguay River walking, as this would facilitate the attack of ounces or "hand peeled" lurking the woods looking for food. We decided to go by car taking the bikes with us, to try to convince the warden that cyclists have legs stiff and are not a good food for wildlife. But we were not persuasive enough, then we run up to the vicinity of the car there and got one of the bikes to have the pleasure of riding on the rocks doing something like tracks on land considered of medium difficulty where no one had ever cycled before. A site somewhat dark and deserted, after about two hours walking around there let the rocks suck my troubles to the deep hole full of water. We left that place with the intention of never coming back because it was somewhat difficult to reach and far from the capital. It was something like the end of the world. We continued toward Frederico Westfalen where we intented stay the night. It was about 16 pm when we arrived at the Hotel Mane. We dropped our bags and we were cycling to the place called Faguense. With five blocks of the pedal at the beginning of the first strong hill the belt broke on my bike. We were lucky because the incident occurred right in front of the best bike shop in the region. But it was closed. We were told that the owner was in a nearby bar. The owner Mario had the disadvantage of opening the shop, fix the belt and still would not charge anything. Soon we were taking a big descent cobbled to the campus UNIJUI and a waterfall park Faguense. We continued in a narrow road of packed dirt where I almost ran into a barbed wire that crossed the road. We return to the highway where we ride and a relatively long way to get back to the city, mad with hunger. We went to a pizzeria that was next to the hotel where we ate pizza and then we went rest for the long return trip to the capital.

terça-feira, junho 09, 2009

Mariana Pimentel - RS

(in english after the portuguese)



Saímos motorizados de Porto Alegre em direção a Mariana Pimentel-RS por volta das 11 hs. Paramos para almoçar no mesmo restaurante da BR 116 onde almoçamos por ocasião do pedal entre Tapes e Porto Alegre, há dois anos. Por volta das 13 hs estávamos no local, prontos para o pedal que consistiria em subir o cerro negro, visitar a pedra equilibrada e as cascatas do chicão e português.



Subir o cerro negro aparentemente seria a parte mais difícil, e como era inicio da tarde partimos rumo ao topo, enfrentando cedo o desafio.





Mas o pedal foi centrípeto numa espiral que nunca chegava ao centro, e terminou numa lavoura de batatas.
Descobrimos na prática e na teoria que o topo era praticamente inacessível para ciclistas.







Com 13 km rodados na espiral, partimos em direção à pedra equilibrada por uma estrada de terra em bom estado, lisa como asfalto, mas estilo montanha russa. No caminho, a 3 km da cidade, aproveitamos para visitar a cascata do chicão.





A pedra equilibrada sem dúvida era alguma coisa no mínimo um pouco diferente do que estamos acostumados a ver. Era algo semelhante a um enorme capacete de ciclista maciço e pontudo, equilibrado sobre um selim de pedra.






Na volta a cachorrada das proximidades da pedra equilibrada desistiu de perseguir as bicicletas, e até fugiram da gente, porque para abrir a porteira tivemos de descer das bikes e caminhar.
Alguns cachorros sentem-se mais atraídos pelo conjunto bicicleta/ciclista do que pelos ciclistas apenas; estes lhes assustam, talvez pelas calças justas, capacetes brilhantes, óculos escuros e caminhar robótico por causa das sapatilhas.






Mas na volta para a cidade, a procurar a cascata do português, uns quatro cachorros muciços, que aparentemente não faziam distinção entre bike, ciclista ou o conjunto todo, vieram correndo ao nosso encontro para morder se possível até nossos capacetes brilhantes.
Por sorte um deles trompou no outro, e desentenderam-se. Vi dentes relampeando numa briga de cuscos homérica, e um barulho de rosnar horrível e assustador como se fossem trovões.
Sem nos demorarmos na contemplação da peleia, aproveitamos para fugir dali pedalando forte numa subida.




Depois do cerro negro, a cascata do chicão, e a pedra equilibrada, faltava a cascata do português. E já estávamos exaustos com apenas 30 km de pedal sobe-desce.
Apesar de levarmos um GPS que apontava sempre para a cascata, não achávamos caminho pedalável até ela. Enquanto meu companheiro foi pedir informações sobre como chegar na cascata, me escorei na bike na beira da estrada poeirenta.




Seja pelo cansaço, seja pela preguiça, perdi o equilíbrio e percebi que estava caindo abraçado com a bike. De repente e por instinto dei uma cambalhota por cima da bicicleta e duma valeta, um movimento complicado que aprendi nos cursos de aikidô, mas caí ileso, ficando coberto de pó. Meu companheiro gritou “-Como tu fez isso?"
Eu respondi que aquela pirueta era apenas uma simples memória corporal das aulas de aikidô, que freqüentei não para aprender a me defender, mas sim para aprender a cair tombos de bicicleta.





Para completar o pedal fomos até a cascata do português. Se a ida foi no crepúsculo, a volta foi sob a penumbra duma lua cheia. Pedal noturno e sem farolete, numa noite fria e por uma estrada larga, que parecia nunca chegar ao destino...


Videos:







Total pedalado: 40 km


Mariana Pimentel city

We left Porto Alegre city in a car, toward Mariana Pimentel-RS around 11 pm. We stopped for a lunch in the restaurant in BR 116 road in the same restaurant where we had lunched six years ago when we made a trip betweenTapes and Porto Alegre. Around 13 pm we were on site, ready to pedal that would be a climb to the black hill, visit the stone balanced and cascades of Chicão and Portuguese. Go up the hill apparently would be the hardest part, as it was early afternoon we started towards the top, facing the challenge early. But the pedal was a centripetal spiral that never came to the center, and ended in a crop of potatoes. We concluded in practice and in theory that the top was virtually inaccessible to cyclists. With 13 km running in the spiral, we started toward the stone balanced by a dusty road in good condition, smooth as asphalt, but style roller coaster. On the road, 3 km from the city, we took the time to visit the waterfall Chicão. More about seven kilometers we arrived near the balanced rock, with many dogs after us. We went through a gate and a pig sty, a foot on the grass, up the stone. Without doubt it was at least something a little different than we are accustomed to see. It was like a huge cyclists helmet and pointed, balanced on a saddle of rock. Back to dogs in the vicinity of the stone balanced they withdrew to pursue the bicycle and fled before us, because we had to open the gate to drop the bike and walk. Some dogs feel more attracted by the whole bike/rider than only by cyclists, they scare them, maybe the tights, shiny helmets, sunglasses and walking robotic because of slippers. But back to the city about four big dogs, which apparently did not distinguish between bike, cyclist or the whole thing, came running to us to bite if possible our shiny helmets. Luckily one crashed in other in the other, and falling out among themselves. I saw a row of teeth shinning and a horrible sound like a thunder. Without delay in contemplation of the fight we took the opportunity to run away in a strong cycling in a hill. After the Black Hill, the cascade of Chicão and balanced stone, missing the cascade of Portuguese. And we were yet exhausted with only 30 km of up-down pedal. Despite taking a GPS that always pointed to the waterfall we didn´t find cycled roads to there.
While my partner was asking about the location of the waterfall, I scored in the the bike in the dusty roadside. Whether the fatigue is the sloth, lost the balance and I realized I was falling with bike and everything. Suddenly and instinctively I took a tumble over the bike and the ditch, a move I learned in complicated courses of Aikido, I took a tumble over the bike and fell unharmed but covered with dust. My companion shouted "-How did you do that?”
I replied that this stunt was just a simple body memory of the lessons of Aikido, which I took not to defend me but to learn how to fall down from bicycles. To complete the pedal we went to the cascade of Portuguese. If the trip was in the dusk, the tour was under the shadow of a full moon. Pedal at night and without spotlight, on a cold night and a large road, which seemed never to reach the destination ...

domingo, maio 17, 2009

São Sebastião do Caí



Novamente nos encontramos em frente ao shopping barra sul e dali partimos rumo ao centro da capital gaúcha. Pegamos carona com o tremsurb até São Leopoldo-RS.




Estava frio e no início tivemos de pedalar abrigados contra um vento incomodativo. Entramos no bairro Scharlau pela RS 122 em direção a Portão-RS e São Sebastião do Caí-RS.

Asfalto com excelente acostamento, pedalamos até dar fome quando paramos no posto Texaco já bem próximo a São Sebastião. Comida excelente o que nos fez exagerar na dose e consequentemente reduzir a velocidade do pedal.




















Em S. Sebastião tiramos algumas fotografias e fizemos a digestão do churrasco, então seguimos pela rua Montenegro, uma estrada asfaltada que vai em direção a Pareci Novo-RS.







Atravessamos a ponte sobre o rio Caí seguindo no mesmo caminho leva a Harmonia-RS mas entramos a esquerda numa estrada de chão batido ou melhor, barro socado. Ela margeia o rio Caí, passa por vetustas construções em ruinas e está em vias de ser asfaltada.





Em Pareci Novo pegamos asfalto novamente, até a BR 287. Re-cruzamos o rio Caí e logo em seguida enfrentamos uma montanha russa de pequeno porte até as proximidades de Capela de Santana-RS, onde tive de retirar o velho moletom devido ao esforço inesperado daquele sobe-desce.

A BR 287 vai até o pedágio da RS 122.

Ali retornamos ao caminho anteriormente pedalado, seguimos de volta a São Leopoldo onde novamente entramos no tremsurb para ir de volta ao centro de Porto Alegre.



Partindo do centro, cruzamos a esquina democrática, e fomos em direção à zona sul. Ao passarmos pelo estádio gigante da beira rio, topamos com toda a torcida do inter que saia do estádio feliz da vida devido à vitória sobre o palmeiras por 2x0. Desvencilhados da turba enfim chegamos de volta ao lar com 110 km pedalados.




Videos:




segunda-feira, abril 27, 2009

Mato Fino (Cascatinha)



O meu fiel parceiro de pedal e eu nos encontramos em frente ao barra shopping sul por volta das 10:00 hs.

E dali ganhamos a Avenida Beira Rio com velocidade, num pedal rumo à Cachoeirinha-RS via Avenidas Sertório e Assis Brasil.



Atravessamos a zona metropolitana com poucas paradas, nas imediações do sítio do Beto paramos para almoçar. Era mais de meio dia, saboreamos uma costela assada num restaurante simples de beira de estrada. Depois de uma boa prosa continuamos o passeio.



Passamos pela localidade de Morungava e logo mais adiante entramos a esquerda, subimos uma elevação de onde se avistava a fábrica de automóveis GM entre outras coisas.



Logo mais um descidão e um campo. Pedal entre o gado leiteiro, campo lindo, mato fino, entravamos no nosso destino quando um vigilante com colete de guarda nos abordou: 15 reais.
-O que? Só queremos olhar... pode ser 5?
Assim foi.

O camping vazio, cavalos pastando. Lindas cascatas surreais. Um lugar de poder nos meses de baixio. Ficamos ali sentados olhando para o brilho da água nas pedras escuras e a alvura das espumas do rumor da queda d'água.



Meia hora naquela contemplação e com poucas palavras, montamos nas nossas bikes e encaramos um subidão para chegar ao asfalto.
Depois um pedal pachorrento até a RS 118 com uma parada para repor o potássio à base de coca-cola, na RS 118 parece que acordamos: a velocidade apareceu e o acostamento sumiu.
Verdadeiro chão batido de cascalho solto, e um movimento incessante de automóveis e caminhões. Pedal entre um casario de gente humilde por aquele asfalto em decomposição, até chegarmos em Sapucaia do Sul-RS onde pegamos carona com o trensurb de volta ao centro da capital gaúcha.

Total pedalado: 107 km

terça-feira, setembro 16, 2008

Passeio Danda Bike



Passeio Danda Bike: 35 km.

14 de setembro de 2008
Participantes: Adonai, Alberto, eu e mais 127 mountain bikers.

 
Levantei cedo e atravessei a cidade pedalando até chegar na casa do Alberto. Ali acondicionamos as bikes na caminhoneta, com rapidez, e rumamos para o apartamento do Adonai. Ele estava nos esperando já cansado só de pensar em pedalar pois estava meio parado; no caminho decidiu que faria o percurso mais curto de 20 km. Eu e o Alberto pedalariamos o caminho longo de 35 km.

 
Fomos as pressas pensando que estávamos atrasados, mas chegamos lá no posto Ipiranga de Lomba Grande com folga de tempo. Nos separamos do Adonai e iniciamos o pedal com um grupo de mais de cem ciclistas.


A partir do inicio do pedal, tirando alguns desencontros e erros de percurso o que fez com que nos desviássemos da rota por alguns quilômetros o resto transcorreu sem incidentes. As imagens e videos descrevem esse passeio de forma literal.




Retornamos com os olhos cheios de natureza e visuais retratados nessas imagens. O Adonai nos esperava com duas amigas que conhecera no passeio curto. Uma delas estava machucada de uma queda, calça de lycra rasgada, luxações.
Foram com a gente de carona. Socamos cinco bikes na caminhoneta e fomos até um restaurante no centro de Novo Hamburgo. Ali comemos bifes especias, e combinamos pedais e trilhas.

Chegando em de volta em Porto Alegre, desgrudamos e montamos as bikes. Eu saí pedalando do bairro Teresópolis até a zona sul pra completar o trajeto. De tardezinha já estava em casa tomando mate.

Total pedalado: 60 km

Videos:







segunda-feira, agosto 11, 2008

Otávio Rocha - Otávio Rocha

In english after the portuguese


Sábado à noite após um dia inteiro de vacinação contra a paralisia infantil, peguei o carro e parti para Flores da Cunha. Desde sexta-feira minha bicicleta já estava acondicionada enrolada num cobertor sem as duas rodas no banco traseiro do automóvel. Passei na casa do Alberto, colocamos a bicicleta dele no trans-bike e iniciamos a viagem.
Eu já tinha feito um pedal semelhante ao que faríamos no domingo, só que mais curto. Lá para os lados de Otávio Rocha, entre parreirais e cachorros, um dia pedalei até Nova Roma e me disseram que tinha um descidão até uma balsa que cruzava um rio, fiquei curioso e decidi voltar ali outro dia para conhecer aquilo tudo no pedal.

















Portanto aqui vamos nós, agora cruzando a grande Caxias do Sul e conversando sobre a finalidade da vida e o fluxo de energia no universo, desde o big-bang até a energia psíquica, passando pela teoria do inconsciente de Freud. Antes de chegar em Flores da Cunha, através do argumento da insignificância, como num jogo de Go o Alberto me deu uma espécie de xeque filosófico que ainda hoje tento me desvencilhar.



Enfim chegamos em Flores da Cunha e procuramos um lugar para comer naquela noite friorenta. Havia um restaurante no centro onde comemos uma espécie de bife grande com queijo e acompanhamentos. Ali encerramos os assuntos filosóficos por aquela semana, a carne faz pesar o estômago e dá um torpor mental. Saímos dali em silêncio, digerindo o big-bang e o bife, fomos parar em Otávio Rocha na pousada da Dona Adélia.
Nem vimos a Dona Adélia, acho que era meio tarde. Quem nos atendeu foi um senhor que falava com um sotaque típico da região da serra gaúcha. Um rapaz se prontificou de guardar nossas bicicletas numa loja de artesanato em frente à pousada.
Depois de um banho o Alberto ligou o aquecedor, eu já estava roncando nesse meio tempo.
Acordei de madrugada com um calor dos diabos e sufocado. Tateando no escuro e sem achar o interruptor da luz saí porta afora ofegante. Abri a janela e veio um ar gelado de fora. Janelas e portas vedadas, o aquecedor tinha esgotado o oxigênio. Tudo bem, nem sabia que horas eram, voltei a dormir oxigenado.



No farto café manhã nem falamos mais na finalidade da vida. Já estávamos em clima de pedal e pedalar era o nosso vislumbre. Essa é uma das razões porque pedalo: eu paro de pensar.














Enquanto tomávamos o café em silêncio um outro senhor com um sotaque da região um tanto mais acentuado falava ao telefone. Uma voz aguda semelhante à de mulher que me lembrou muito o Raditi. Descobri depois que tem um tal de Willmutt que faz sátiras do sotaque de gringo e que em um website. Vale a pena conferir.



Saímos pedalando de Otávio Rocha às 8:30 duma manha gelada. Eu ia de bermuda larga sentindo um frio nas pernas e o Alberto ia de calcinha de ciclista. Ainda vou comprar uma calcinha dessas para o próximo inverno, calças largas de abrigo enroscam na coroa, já rasguei umas três quando se soltaram das meias. Como sou gaúcho criado na fronteira ainda tenho um certo constrangimento para vestir aquelas calcinhas justas. Levei dois anos de pedal para começar a vestir bermudas de lycra com esponja etc... Depois gostei tanto que antes dos pedais, vestindo aquelas bermudas, não me constrangia em levar o cachorrinho pinscher 01 da minha filha para passear na área comum do prédio. O perigo é que a gente perde a vergonha e acaba gostando...



Pedalando entre parreirais secos e cinzas num sobe e desce cansativo fomos sair em Nova Roma. Pegamos o tal descidão onde fomos parar na tal de balsa que cruzava o tal de rio. Era o rio das Antas e a balsa, ainda na sei o nome. É uma balsa movida a braço, e braço de mulher. Subindo na balsa e parando de pedalar, voltei a pensar pensamentos dos outros. “Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo”. (Arquimedes)




A subida depois do rio me fez interromper o pensamento alheio. Nem me interessei em quantos MW a represa Castro Alves geraria. O Alberto se sentiu à vontade para falar de engenharia elétrica, pois é formado e graduado nesse assunto. Eu só queria sair daquele buraco e chegar logo em Nova Pádua para o almoço. Mesmo assim a endorfina me fez imaginar um mundo novo naquela região selvagem. Uma Nova Roma, cujo prefeito seria o Raditi, um novo papa gringo importado da Europa a enriquecer a região com um turismo religioso pregando os preceitos da nova era. Enfim uma nova Itália cujos políticos fariam discursos e debates com o sotaque do Willmutt.




Em breve chegamos a Nova Roma, parei num posto de gasolina para limpar a caramanhola suja de cocô não sei de que bicho que havia saltado da roda. Um cheiro forte e desagradável. Bem lavada com água e sabão mesmo assim o cheiro ficou incrustado. O que fez com que sumisse o fedor foi um cheiro bom de churrasco que vinha duma chaminé. Paramos no pé da chaminé, num restaurante lotado. Era dia dos pais e havia um almoço especial por ali com carnes as mais variadas e um buffet de acabar com o regime de qualquer um. Procurando um lugar para estacionar as bicicletas eu cravei um espinho de cacto nas costas, e um bicho não identificado mordeu a mão do Alberto.



Depois do almoço e vinho tinto de colônia saímos pedalando dali de forma pachorrenta. O Alberto pedalava tão devagar que chegou a cair numa valeta pela inércia. Mesmo assim ele seguia na minha frente.



Enfim Antônio Prado. Um sorvete na entrada da cidade, aquela sorveteria parecia ser um dos points das baladas da noite. Mesmo de dia desfilavam por ali carros rebaixados e motocicletas barulhentas com seus playboys. Coisa que me lembrou a terra natal há 30 anos
Depois de uma visita ao famoso centro histórico de Antônio Prado, seguimos o pedal. Para sair da cidade é um subidão, e a subida continua na RS 122. Uma enorme montanha russa com bom acostamento até o desfiladeiro nas proximidades do rio das Antas. Dali até e ponte atingi 60 km/h numa estrada em espiral semi-deserta. Passou rápido, tudo o que é bom se termina. Quando me dei por conta estava na ponte e morto de fome. Comi umas bolachas salgadas, e voltei a pensar. Pelo tanto que descemos outro tanto deveríamos subir. Assim nesse raciocínio óbvio me preparei para o aclive ininterrupto de seis quilômetros que ia até as proximidades de Flores da Cunha. Levei uma hora para sair daquele buraco. Sem nem um planinho pra descansar, nem nada na beira do caminho, só me restava pedalar.



Comecei a sentir a dureza do banco novo em teste. De mola, mas duro. Prometi pra mim mesmo que pedalaria até o fim sem descer da bike, pedalar até achar algum lugar pra tomar uma coca cola. Assim fui por toda aquele percurso sem descanso, para a desgraça das partes traseiras, quando enfim desci da bicicleta para tomar a coca-cola eu estava semelhante à velha surda da praça é nossa, com dificuldades para andar e sentar.
Uma coca-cola congelada me reanimou. Subi na bike e sentei no selim com dificuldade passei pelo pedágio sem parar, o Alberto me esperava por ali. Pedalamos mais um trecho até a entrada para Otávio Rocha, começava a escurecer.



Pedalei os últimos quilômetros no escuro. O Alberto começou a sentir o joelho e ficou para trás. Cheguei na pousada e imediatamente comecei a desmontar a bike na penumbra. Tirei as duas rodas e enrolei num cobertor, coloquei no banco traseiro do carro. Depois de amarrar a do Alberto no trans bike voltamos a Porto Alegre onde jantamos um café num restaurante de beira de estrada, sem nem sequer falar sobre a finalidade da vida. Pedal é para essas coisas.
Total Pedalado: 105 km




Total Pedalado: 105 km






Otavio Rocha district to Otavio Rocha district

Saturday evening after a full day of vaccination against infantile paralysis, I caught the car and left to Flores da Cunha city. Since Friday my bike was already wrapped in a blanket rolled without the two wheels in the rear seat of the car. I passed in the house of Alberto, put the bicycle in cross-bike and we started the journey.
I already had done a pedal similar to what we would do on Sunday, but shorter. There to the sides of Otávio Rocha district, between gardens and dogs, one day I cicled till New Padua city and they told me that there were had a ladder that leaded till a ferry that crossed a river, I was curious and decided to go back there another day to know everything on the pedal.

So here we go, now crossing the vast Caxias do Sul city and talking about the purpose of life and the flow of energy in the universe since the big bang till psy energy, going by the Freud’s theory of the unconscious. Before arriving in Flores da Cunha, through the argument of insignificance, as a game of the Go Alberto gave me a kind of philosophical Sheikh that I still try to be free.

Finally we arrive in Flores da Cunha and seek a place to eat in that cold night. There was a restaurant in the centre where a kind of eat steak and cheese with great accompaniments. There we ended the philosophical issues in that week, the meat is weigh the stomach and makes a mental torpor. We left the restaurant in silence, digesting the big-bang and steak, we were stranded on Otávio Rocha city in Dona Adélia hostel. Neither saw Ms Adélia, I think it was a half later.

Who was there was a gentleman who spoke with an accent typical of the region's mountain gaúcha. A boy was right to save our bicycles into shop for handicrafts in front of the inn. After a bath the Alberto turned the heater, I was already snoring in the meantime. Woke at dawn with a hell of heat and sufocated. In the darkness without finding the back door of the light I went out the room wheezing. After I open the window and has a cold air from outside. Windows and doors closed, the heater had exhausted the oxygen. Okay, neither knew what time was, I returned to sleep oxygenated.

With plentiful morning coffee or talk more purpose in life. Already we were in climate and foot pedal was our glimpse. That is one reason why pcycle: I stop thinking. While we were taking the morning coffee in silence we listened another strange accent of the region with a somewhat more pronounced spoke on the phone. A voice similar to that of acute woman who reminded me a lot to Raditi. I discovered then that has such a Willmutt of making sátiras about the gringo accent, and that on a website. It is funny to listen it.

We left Otávio Rocha at 8:30 in a cold morning. I would was wearing a large shorts and feeling cold in the legs and Alberto was wearing tight pants of cyclists. Although I will buy one of these tight pants for next winter, wide trousers under glue of the gear, already teared some three when they were free from the socks. As I am gaucho created at the border and very male, I still have a certain constraint to wear those briefs fair. It took two years of pedal to start dress that tight shorts with of sponge etc. ... After liked so much that before the pedals, wearing tight shorts, I do not felt bad of getting the dog pinscher 01 of my daughter to walk in the common area of the building. The danger is that people ends losing their shame and just enjoying it ...

We cycled between gardens and dried up grape trees and down in ashes were wearing out in New Rome. We took such a ladder where we stop at just the ferry that crossed the river from this. It was the Antas river and the ferry, even in the know the name. It is a ferry moved by the the arms, and by the arm of a woman. Movers and stopping of the ferry ride, I returned to thinking thoughts of others. "Give me a lever and a fulcrum and stir the world." (Archimedes)

The rise after the river made me stop the alien thought. I was not interested in how many MW would generate the Castro Alves damn. The Alberto felt free to talk about electrical engineering, because it is formed and graduated in that subject. I just wanted to get out of that hole and come soon in New Rome for lunch. Still, the Endorphin made me imagine a new world in that region wild. A New Rome, whose mayor would be the Raditi, a new pope gringo imported from Europe to enrich the region with a tourism religious preaching the precepts of the new era. Finally a new Italy whose political speeches and debates would do with the accent of Willmutt.

Soon we arrived at New Roma, stopped at a petrol to clean the dirty caramanhola of shit not know that beast that had bounced the wheel. A strong and unpleasant smell. Well washed with soap and water even smell was so encrusted. What has caused to disappear the smell was a smell of good barbecue that had a chimney. We stopped at the bottom of the chimney, in a restaurant full. It was days of parents and had a special lunch there with meat by the most varied and a buffet of ending the regime of anyone. Looking for a place to park the bike I was hurted by a a thorn of cactus in the back, and an unidentified beast bit the hand of Alberto.

After lunch and red wine, we went out there cycling very slowly. Alberto was cycling so slowly that fell down into a hole by inertia. Even so he went in front of me.

Finally at Antonio Prado city. An ice cream at the entrance of the city, in a drink bar seemed to be one of the points of the ballads of the night. Even by day there were cars and motorcycles demoted noisy with its playboys. Thing that made me reminded my homeland 30 years ago. After a visit to the famous historic center of Antonio Prado, we followed the pedal.

To goout drom the city is a ladder, and the rise continues in RS 122 road. A huge and long road until the gorge near the river of Antas. From there to the bridge I reached 40 miles/h on a road in spiral semi-deserted. It passed quickly, all that is good if ends. When I gave in to the bridge and was dead from hunger. I ate some salted biscuits, and I returned to thinking. On the other down so much that both should rise. So this reasoning course I prepared for the continuously climb for five miles that would lead to near Flores da Cunha. It took one hour to get out of that hole. Without a rest, and nothing in the side of the road.

I started to feel the hardness of the new seat in testing. Promised to me that I was going to cycle till the end of the climb without going out from the the bike, pedaling to find some place to take a coke. So I went through that journey without rest, to the misery of back when the bike finally down to take the coke I was similar to the old square is our deaf, had trouble walking and sitting. A coca-cola frozen brought me up. I returned to the bike and sat in the saddle with difficulty spent by the toll without stopping, Alberto was waiting for me there.

We cycled one more sentence to the entrance to Otávio Rocha, began to darken. I cycled the last kilometers in the dark. The Alberto began to feel the knee and stayed behind. I arrived at the inn and immediately began to disassemble the bike in the shadows. I took the two wheels and rool it in a blanket, put in the back seat of the car. After the tie of Alberto in the cross bike we left to Porto Alegre city. In the way we had a dinner on a roadside restaurant, without even talking about the purpose of life. Pedal is for these things.

Total cycled: 105 km